O Estado da Saudade

Saudade: sete letras, quatro vogais, três consoantes, substantivo feminino comum.

Mas não é só. É muito mais. A saudade é um estado constante e não há ninguém que seja imune a ele.

Ele provem do pesar sentido devido à ausência de pessoas que são especiais de alguma forma na nossa vida. Pode provir até mesmo de coisas que nunca existiram, que idealizamos, que tentamos trazer para a realidade sem obter êxito; é assim que se sentem as pessoas que enfrentam uma separação matrimonial, saem achando que conheciam uma pessoa durante quase uma vida inteira e quando percebem que é diferente, que era tudo idealização, acabam sentindo saudades daquilo que achavam ser real – e aí se vê que o abstrato das relações nem sempre é só o sentimento.

Mas a saudade é um bicho triste que aperta o peito mesmo. Nos faz olhar álbuns de fotografias para lembrar velhos familiares que não estão mais entre nós ou que por qualquer outro motivo estão distantes; nos faz querer voltar para lugares que marcaram nossa vida de alguma forma, como a cidade em que nascemos ou a escola em que estudamos; nos faz, ora derrubar lágrimas discretas, ora cair no choro, ora sorrir em paz…

É aquilo que não se vê, é quase o estado natural da gente, sentimos falta de pessoas e de épocas a todo instante: do tempo que os preços eram mais baixos, que andar na rua à noite não era assim tão perigoso, que vendiam goiabada-cascão, que passava o programa do Chacrinha, que se ouvia O Balão Mágico, e por aí vai…

Suas sete letras não dão conta do significado que esta palavra carrega; é classificada como substantivo feminino, mas também afeta os homens; tem apenas três sílabas mas sua intensidade dentro do coração de uma pessoa é imensurável.

Porém, se existe uma coisa na saudade que eu realmente gosto, eu diria que é o fato de que ela define quem realmente é importante na nossa vida. Às vezes sentimos falta de pessoas que nunca imaginaríamos que sentiríamos, pois até ali não tínhamos ideia do quanto ela representava na nossa vida.

E não há como fugir. Se sente e pronto. Não tem como negar, renunciar ou mandar embora a saudade. Ela fica porque quer; porque faz parte de nós e nos mostra por quem ou pelo o quê é que vale a pena lutar.

Não importa seu número de letras, o que importa é o que verdadeiramente ela nos causa e o que fazemos a respeito dela. Pois a saudade é isso: um sinalzinho de alerta que nosso coração toca sempre que algo precisa voltar para perto da gente.

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