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Para quem estava tão aflita de perder mais um ano da vida sem estudar, cá estou eu carregando pilhas e pilhas de livros e cadernos, todos os dias. Fazendo exatamente o que escolhi para mim e estando no lugar onde eu sempre quis estar: no curso de Letras da UFRGS.
Talvez, para algumas pessoas, isso não signifique muita coisa, mas ver meu nome na lista dos classificados no vestibular foi uma das melhores sensações que eu já tive. Digo isso porque fiquei 4 anos sem estudar devido à repentina e turbulenta separação dos meus pais e à, também repentina, moléstia que levou minha avó a falecer. Nesta época, muitas responsabilidades recaíram sobre mim. E me fizeram muito mal emocionalmente.
Durante todo esse tempo, convivi com muitas críticas de pessoas que, embora se importem comigo, não conseguiam me compreender. Se uns tentavam ser mais cautelosos ao me indagar, soltando perguntas como “tu não pensas em voltar a estudar?”, outros era mais incisivos ao dizer “tu estás perdendo tempo da tua vida!”.
Eu realmente sabia disso. Eu não estava somente perdendo o tempo da minha vida, eu estava também perdendo a mim: a minha essência. Contudo, realmente nunca funcionei sob pressão e sempre odiei – e ainda odeio – ver as pessoas na minha volta dizendo coisas que eu já sei. Eu sou assim nas minhas questões pessoais: faço as coisas quando acho que devo fazer; quando estou preparada para fazer. E não quando alguém simplesmente me pede/ordena. É como diz um amigo meu “esso-e-esso, cada um com o seu processo” – eu tive o meu.
Demorou, mas rolou. Hoje estou forte na UFRGS, assumindo um curso que nem todo mundo aprova.

Mas quem disse que preciso de aprovações, não é?

Nas rodas de conversa das aulas de Leitura e Produção Textual, meus colegas expuseram fatos muito reais em relação ao preconceito que existe com o curso de Letras. Assumir para a família que escolhemos uma profissão que não tem a fama de ser daquelas que garantem um salário fora da linha do que se considera miséria, não é fácil. Quando alguém nos pergunta para qual curso fomos aprovados e dizemos “Letras!”, é muito comum vermos a expressão feliz desta pessoa se transformar numa expressão de espanto. Abaixo cito a lista de suas possíveis respostas:

“Letras? Ah, que legal! E depois?” – como assim “e depois?”? Já é natural as pessoas pensarem que quem faz Letras não tem futuro. 
“Letras? Ah, pelo menos tu estás na UFRGS!” – como quem diz “pelo menos tem saúde!”
“Tu és tão inteligente, por que foi fazer Letras?” – … sem comentários!
“Mas é licenciatura ou bacharelado?” – arrisque dizer licenciatura pra tu veres…

Estas respostas são baseadas nas de pessoas que já indagaram a mim e a meus colegas sobre nossa escolhas. Acho engraçado, até certo ponto, essas atitudes das pessoas em relação ao curso.
Até certo ponto, porque, nós, letristas, estudamos muito, assim como qualquer pessoa de qualquer curso, mas o que nos diferencia – os licenciandos – é que estudamos para que, um dia, possamos passar nosso conhecimento para outras pessoas. E não guardá-lo apenas para nós. Mas não há reconhecimento. 
Nunca pensei muito na questão salarial, não escolhi o curso preocupada com isso. Mas acredito que haja campo de trabalho para quem é bom no que faz, mas só é bom no que faz aquele que ama que faz. E se o problema for esse, então está tudo resolvido.

Passei por muita coisa até chegar aqui. E ninguém vai me dizer que eu poderia estar fazendo algo melhor. Esse é o meu melhor: chegar até aqui e com vontade de ir sempre mais além. 

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